O
Pecado da Omissão
Alguns cristãos chegam a
mencionar este como o maior de todos os pecados: “saber o bem que se deve fazer
e não fazer é o pior de todos os pecados.” De fato, parece terrível a ideia de que alguém possa impedir um problema e não o faz
por opção. Não é difícil associar esta pessoa à responsabilidade pelas consequências do problema não evitado.
No ambiente empresarial, as consequências não são menores. Grandes problemas são
previstos por funcionários, mas não evitados, o que leva as empresas a grandes
prejuízos. Vários motivos podem ser citados como possíveis causas para tão
danosa atitude, dentre eles a insegurança ou medo de alguns funcionários de se
expor, de correr o risco, pois, em alguns casos, uma sugestão de mudança de
processos implica em alguns conflitos de ideias e
opiniões, o que costuma intimidar alguns, por isso, para evitar este conflito,
muitos se calam, se omitem com medo de expressar a própria opinião, pois
acreditam que estão se protegendo agindo desta maneira. Geralmente ao receberem
a notícia do fracasso da empresa, soltam um inevitável: “eu sabia...”
Outra possível causa para
este comportamento é o comodismo ou a falta de envolvimento com a empresa. O
pensamento de que o funcionário trabalha para a empresa e que seu comportamento
pouco influencia os resultados da mesma, ainda está presente em muitos
trabalhadores, por não estarem emocionalmente envolvidos com a empresa, e isso
pode ocorrer por insatisfação com a mesma, ou seja, eles não se sentem responsáveis
pela saúde da mesma, pois ela “não lhes pertence” retirando de si a
responsabilidade sobre a empresa. É necessário que se crie vínculo entre
empresa e empregado, fazendo-o compreender que a empresa estabelece com ele uma
relação de troca, pois, através do trabalho dele, a empresa pretende obter bons
resultados, e, em contrapartida, seu emprego é o meio pelo qual ele também
alcançará seus objetivos pessoais, gerando assim comprometimento.
Por ultimo, cito a causa
mais triste de todas, pois em raríssimos casos há possibilidades de recuperação
da relação entre empresa e funcionário. Muitos ainda acreditam que sabotagem
refere-se apenas a atitudes ativas e imediatas como jogar uma chave de fendas
dentro de uma engrenagem. No entanto, a verdade é que existem modos de sabotagens
bem mais devastadores para uma empresa, como por exemplo, a omissão. Alguns
funcionários além de não se importarem com os resultados da empresa, não
empregam o melhor de seu potencial no desempenho da tarefa a qual foram contratados
para realizar, eles são capazes de torcer contra os ideais da mesma, são capazes
de identificar o perigo e, além de não contribuírem para a prevenção ao
problema, ainda aguardam para saborear os problemas causados na empresa.
Infelizmente, casos assim, onde funcionários agem como inimigos da corporação
são bem mais comuns do que se acredita.
Existem ainda algumas outras
causas para a omissão, mas considero estas como as mais freqüentes. Porém, vale
lembrar que todas são nocivas tanto para a empresa quanto para o funcionário, pois
não se deve esquecer que a oportunidade de se expor para a apresentação de um
problema ainda não identificado, é uma excelente oportunidade de ser visto,
reconhecido e recompensado. As empresas buscam sempre pessoas capazes de
contribuir positivamente de forma inovadora, e não há maneira de fazer isso sem
o envolvimento necessário. Por outro lado, comportamentos ruins, com omissões
propositais e sabotagens, mancham a imagem do colaborador dentro e fora da
empresa, podendo trazer problemas futuros para o indivíduo até na hora de
procurar um novo emprego.
Pense nisso e reflita: há
algo que você possa fazer para contribuir para melhorar os resultados de sua
empresa?
Dayvid
Douglas Gonçalves
Gestor de RH