Nos últimos dias venho refletindo muito sobre algumas entrevistas que assisti de alguns atletas logo após as competições onde geralmente eram medalhistas e muito me chamou a atenção fatos comuns ao discurso de todos: todos diziam estarem felizes com o resultado obtido que o mesmo era fruto de muito esforço, mas que havia valido a pena e que a partir daquele instante se concentrariam na próxima competição.

Haviam passado apenas segundos de sua ultima conquista e eles já estavam na expectativa das futuras competições e possibilidades de conquista, não é difícil a partir daí identificar a situação com a teoria de Herzemberg que, de uma forma ultra resumida, dizia que o ser humano em muitas áreas é motivado por aquilo que ainda não possui ou alcançou, ou seja, a medalha motiva o atleta até sua conquista desde então o que motiva o mesmo é a possibilidade de alcançar uma nova incentivando-o a treinar mais e mais.

Podemos observar isso claramente também no cotidiano de não atletas. Por exemplo, o número de pessoas interessadas em alcançar um cargo público por meio de concurso é cada vez maior, todos buscam a famosa estabilidade total no emprego, a segurança está em segundo lugar no quadro de hierarquia das necessidades de Maslow .

O problema já conhecido e reclamado por muitos, é a falta de motivação de muitos funcionários públicos ocorre pelo cumprimento do que podemos chamar de misto entre as teorias de Herzemberg e Maslow, ou seja, a segurança oferecida por um órgão público motiva o candidato até ser alcançada, depois de isso acontecer o candidato imediatamente passa para a próxima necessidade que seria as relações sociais, o que também pode ser satisfeito por um cargo público, passando para o penúltimo degrau: realização.

É neste ponto que geralmente começam os problemas, pois para satisfazer esta necessidade geralmente necessita-se de algo como uma promoção ou algo semelhante, algo que não é comum dentro do serviço público. Ao se deparar com esta situação o funcionário em questão, ainda que de forma inconsciente, sente-se frustrado por não conseguir satisfazer tal necessidade e a segurança antes tão desejada e motivadora passa a ser vista como estagnação, contribuindo ainda mais para a desmotivação do mesmo, isso ocorre de maneira mais perceptível em cargos hierárquicos não muito elevados.

Essa situação não é mais novidade no meio acadêmico, o que explica os projetos de leis que visam acabar com a estabilidade de cargos públicos concursados o que segundo os autores das propostas causaria motivação aos funcionários, pois a estabilidade de cada funcionário teoricamente seria causada pela eficiência do mesmo.

Entendo que essa situação de desmotivação possa ser aliviada com apoio do líder através de um trabalho que vise enfatizar a importância do trabalho de cada um e expressar ainda que de maneira não financeira o reconhecimento por bons serviços prestados, nada impede, por exemplo, que os lideres efetuem feedbacks periódicos, reuniões motivacionais, implantação de metas com reconhecimento aos destaques, alem de um trabalho que vise integrar bem o grupo. Essas são medidas que podem ao menos amenizar a desmotivação do grupo.

Reconheço também que para alguns, com aspirações elevadas muitas vezes a saída é abandonar o cargo público concursado, e acredite, nem sempre isso é uma loucura já que suas aspirações estão além do que é oferecido pelo serviço publico e a felicidade do indivíduo pode estar diretamente ligada a satisfação destas necessidades.

Meu objetivo não é criticar o funcionalismo publico ou seu código, mas sim levar cada um a rever suas necessidades, seus anseios, aspirações e refletir se estamos ou não no caminho certo.

As questões então são: qual é o seu próximo passo ou o que motiva você? O que você tem feito para alcançar este objetivo?

Sendo funcionário público ou não, pense nisso.